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sábado, 6 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28076: Fichas de unidades (41): BART 2920 (Sector L2, Bafatá, 1970/72), CART 2741 (Contuboel), CART 2742 (Fajonquito) e CART 2743 (Geba)


Batalhão de Artilharia n." 2920 (tem 8 referêncvias no blogue)


Identificação BArt 2920

Unidade Mob: RAP 5 - Penafiel

Crndt: TCor Art Fernando de Melo Macedo Cabral | 2º Crndt: Maj Art Álvaro Nuno Miranda Furtado | OInfOp/Adj: Maj Art Rui Folhadela Macedo Rebelo

Crndts Cornp:

  • CCS: Cap Art Eduardo da Conceição Santos
  • CArt 2741: Cap Art João Maria Clímaco de Sousa Brito
  • CArt 2742: Cap Art Carlos Borges de Figueiredo | Alf Mil Art Baltazar Gomes da Silva
  • CArt 2743: Cap Mil Art Ilídio do Rosário dos Santos Moreira

Divisa: -

Partida: Embarque em 18Ju170; desembarque em 24Ju170 | Regresso: Embarque em 21 Set72 (CArt 2741), 22Set72 (CArt 2742) e 23Set72 (Cmd, CCS e CArt 2743)

Síntese da Actividade Operacional

Em 03Ag070 seguiu para Bafatá, a fim de efectuar a sobreposição e render o BCaç 2856, assumindo, em 13Ago70, a responsabilidade do Sector L2, com sede em Bafatá e abrangendo os subsectores de Geba, Fajonquito, Contuboel e Bafatá e, a partir de 29Ag070, o de Sare Bacar. As suas subunidades mantiveram-se sempre integradas no dispositivo e manobra do batalhão.

Desenvolveu intensa actividade operacional orientada para a contra-penetração e segurança e protecção das populações, efectuando numerosas acções e operações, patrulhamento, emboscadas, reconhecimentos ofensivos e reacções a ataques inimigos, em especial contra Ualicunda, Sare Bacar, Sumbundo e Cantacunda e outras povoações em autodefesa.

Dentre o material capturado mais significativo, refere-se: 3 espingardas, 2 lança-granadas foguete, 21 granadas de armas pesadas e a detecção e levantamento de 20 minas.

Em 28Mai72, foi rendido no subsector de Bafatá pelo BCaç 3884 e recolheu 
seguidamente a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.

***

A CArt 2741 seguiu em 03Ag070 para Contuboel, a fim de efectuar a sobreposição e render a CCaç 2435, seguindo um pelotão para Sare Bacar, em 05Ag070 e outro para Sare Aliú Sene, em 12Ag070.

Em 13Ag070, assumiu a responsabilidade do subsector de Contuboel, com forças destacadas na ponte do rio Geba, Sora, Sare Bacar e Sare Aliú Sene.

Em 20Ag070, por criação, ainda com carácter temporário, do subsector de Sare Bacar, passou a ter três pelotões destacados neste novo subsector e instalados em Sare Bacar, Sare Aliú Sene e Sora, onde se mantiveram até à chegada da CCaç 2636, entre 20 e 24Set70. 

A partir de 24Set70, mantendo efectivos na ponte do rio Geba, passou a ter destacados dois pelotões em Sare Uale e Sumbundo, no subsector de Fajonquito, onde permaneceram até finais de Jun71. 

Seguidamente destacou efectivos para reforço temporário do subsector de Bafatá e, deslocou um pelotão para Sonaco, mantendo sempre o destacamento da ponte do rio Geba.

Em 28Mai72, foi rendida no subsector de Contuboel pela CCaç 3547 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

***

A CArt 2742
seguiu em 03Ag070 para Fajonquito, a fim de efectuar a sobreposição e render a CCaç 2436, assumindo, em 13Ag070, a responsabilidade do respectivo subsector, com forças destacadas em Cambajú, Sumbundo, até 24Set70 e Ualicunda, de 24Set70 a Jul71 e Sare Uale, a partir de finais de Jun71.

Em 21Mai72, foi rendida no subsector de Fajonquito pela CCaç 3549 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

***

A CArt 2743 seguiu em 03Ag070 para Geba, a fim de efectuar a sobreposição e render a CCaç 2437, assumindo, em 13Ag070, a responsabilidade do respectivo subsector, com pelotões destacados em Cantacunda e Sare Banda.

Em 27Mai72, foi rendida no subsector de Geba, pela CCaç 3548 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

Observações - Tem História da Unidade (Caixa n." 98 - 2ª Div/4ª Sec, do AHM).

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pp. 230- 231.

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sábado, 30 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28060: Efemérides (394): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte V: Menos de dois meses depois, a guerra acaba para o Sori Jau, o Braima Bá e o Udi Baldé, os primeiros feridos graves da CCAÇ 2590/CCAÇ12, em Madina Xaquili


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Contuboel > Junho de 1969 > CCAÇ 2590 (futura  CCAÇ 12) > O 2º Grupo de Combate, ainda em período de instrução da especialidade no CIM de Contuboel , 
que pertencia ao sector L2 (Bafatá). O Braima Bá e o Udi Baldé estão aqui na foto, mas não consigo identificá-los.

O 2º Gr Comb era comandado pelo alf mil at inf António Manuel Carlão (Mirandela, 1947 - Esposende, 2018),  que aparece na aqui fotografia, na primeira fila, ajoelhado, olhando no sentido oposto ao do fotógrafo. Atrás dele o soldado Arménio, o nosso "Campanhã", taxista no Porto (era cabo, antes de embarcar mas foi despromovido, por ter apanhado uma porrada, por participação do 1º srgt cav Fragata).

De pé, na terceira fila, os fur mil at inf Tony Levezinho (com quem passei ontem "um dia para mais tarde recordar", na Tabanca da Ponta de Sagres - Martinal)  e o OE / Ranger Humberto Reis. Na segunda fila, meio agachados, os 1ºs cabos Branco e Alves (de alcunha o "Alfredo",  já falecido).

Um grupo de combate da CCAÇ 2590 (mais tarde, CCAÇ 12) era constituído por 30 homens. Havia 4 Gr Comb. Cada grupo de combate, comandado por um alferes, tinha três secções (1 furriel e 1 cabo e oito soldados, estes africanos).

Cada secção era especializada. Havia a secção dos LGFog, com o respectivo apontador e municiador (1 LGFog 8.9, 1 LGFog 3.7). Havia a secção do Morteiro 60 (apontador e municiador ). E havia ainda a secção da Metralhadora Ligeira HK 21 (apontador e municiador). Cada combatente estava equipado com a espingarda automática G-3 e granadas defensivas. Em geral havia ainda dois apontadores de dilagrama (neste caso, 1ª e 3ª secção). 

Fotos (e legendas): © António Levezinho (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].
 

1. A presença de Spínola, ainda brigadeiro, na cerimónia de juramento da bandeira dos soldados da PU (província ultramarina) da Guiné, não deixa de ser significativa do seu empenho pessoal no projecto de africanização ou, melhor, guineização da guerra. 

As futuras CART 11 e CAÇ 12, bem como CCAÇ 13 e CCAÇ 14, são uma das primeiras unidades da "nova força africana", por quem o  novo governador e comandante-chefe tinha muito carinho e orgulho, e de quem esperava muito.

No caso da CCAÇ 259o / CAÇ 12, Spínola visitar-nos-ia várias vezes, incluindo na nossa semana de campo, em Contuboel. Tal gesto tinha um especial significado para as nossas praças africanas e para alguns de nós, quadros metropolitanos.

Confesso que nunca simpatizei com a personagem (embora fosse o com-chefe). Digo-o, sem com isso querer escamotear ou ignorar o seu papel nas mudanças operadas em Portugal com o 25 de Abril de 1974, nem muito menos ofender os seus admiradores. Para todos os efeitos, foi (e é)  uma figura de referência nacional, e como tal a sua memória deve ser respeitada. Competirá aos historiadores definir o seu papel da nossa história.

2. Na época em que demos a instrução de especialidade às nossas tropas africanas (de 2 de junho a 17 de julho de 1969), Contuboel era, ainda era, um oásis de paz. Lá ainda se podia "brincar às guerras" num raio de alguns quilómetros, no meio de uma vegetação luxuriante. Lembro-me de haver lá uma serração de um tuga, o que indiciava abundância de madeiras exóticas. Tomávamos banhos no rio (Geba), andávamos de canoa, íamos às "pontas" comprar frutas e legumes, passeávamos pelas belíssimas tabancas, plenas de gente jovem, alegre e ruidosa. Não voltei a encontrar gente tão feliz!

Ao longo dessas curtas e rápidas semanas aprendemos a conviver com os nossos soldados fulas (e alguns futa-fulas, dois mandingas e um mancanha, num total de menos de uma centena de homens). 

A maior parte não falava o português, não estavam habituados a andar calçados, não faziam a mínima ideia onde ficava Portugal,  eram "desarranchados"... Isto pode dar uma ideia do grau ou do esforço penetração da nossa cultura, no leste da Guiné, depois de "cinco séculos de missão civilizadora", escrevia eu com ironia no meu diário.

Nestas condições, a instrução de especialidade (bem como a IAO), como se deve imaginar, não foi nada famosa. Estávamos a 4 mil km do nosso ponto de partida, o Campo Militar de Santa Margarida, onde, ainda bem me lembro, também brincámos às guerras, e fizemos os nosso "roncos" no essencial, assalto aos "acampamentos do IN a fingir", e pilhagem de tudo o que era bebível e comestível.

Em plena época das chuvas, ainda em fase de adaptação ao terrível clima da Guiné, hostil a qualquer "tuga", em farda nº 3 , espingarda automática G3 ao ombro e cartuchos de salva nos carregadores (à cautela, não fosse o diabo tecê-las, os graduados, tugas, levavam alguns carregadores com bala real)... Estão a imaginar esta "guerra-de-faz-de-conta" ?!

Era ainda a "dolce vita" da Guiné (como eu escrevia no meu diário), aqui e ali perturbada pelas histórias (reais) que a velhice nos contava, a nós periquitos, de Madina do Boé,  de Gandembel, e Guileje,  "lá longe no sul"...ou mais perto, no sector L1 (Bambadinca) onde decorrera a Op Lança Afiada, três meses antes (março de 1969).

A companhia dos "Lacraus" aquartelada em Contuboel, do Abílio Duarte, Valdemar Queiroz, Renato Monteiro, etc. (CART 2479, futura CART 11) já havia dado a recruta às nossas praças, em março e abril de 1975. 


3. A 18 de Julho de 1969 , a futura CCAÇ 12 (que, por enquanto, ainda era a CCAÇ 2590) é dada como operacional. Atendendo à origem étnico-geográfica das suas praças do recrutamento local, por sugestão do Com-Chefe, ficamos radicados em chão fula, às ordens do BCAÇ 2852 (1968/70), com sede em Bambadinca.

A 21 de julho, menos de dois meses depois da nossa chegada à Guiné, quando ainda nem sequer tinham sido distribuídos os camuflados à nossa tropa africana, temos a nossa primeira "saída para o mato" , seguida do nosso "baptismo de fogo", no sector L1...

De facto, em Madina Xaquili, temos o nosso primeiro ferido grave, evacuado para Bissau, a 24; e a 28, mais dois feridos graves, numa ataque nocturno àquela aldeia fula que será definitivamente abandonada pela sua população e, mais tarde (em outubro), pelas NT.

Para três dos nossos soldados africanos, a guerra havia acabado, mal começara: ficarão definitivamente inoperacionais e/ou incapacitados, não sem que um deles tenha de passar, primeiro, por outro inferno, o do Hospital Militar da Estrela, em Lisboa...

Pergunto-me, com amargura, o que será feito de vocês três, camaradas guineenses, 57 anos depois  ?  O mais provável é que já tenha morrido todos:

  • o Sori Jau (3º Gr Combate, evacuado para o HM 241); 
  • o Braima Bá (inoperacional, do 2º Gr Com);
  • o Udi Baldé (evacuado para Lisboa e retornado a casa com 35% de incapacidade física), também do 2º Gr Comb ?

Madina Xaquili é uma história para voltar a recordar.  Ficava enter o rio Corubal e Dulombi, no sub-sector de Galomaro que foi depois transformado em Sector L5 da Zona Leste.  

(Continua)

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Nota do editor LG:

Postes anteriores da série >




quinta-feira, 28 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28057: Efemérides (392): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte III: Do Campo Militar de Santa Margarida ao Centro de Instrução Militar de Contuboel (ou de Bolama)



T/T Niassa > c. 24-29 de maio de 1969 > A caminho da Guiné > CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12 ) > Da esquerda para a direita, fur mil at inf António Fernando R. Marques (vive em Cascais), 1º sgr cav Fernando Aires Fragata (presumivelmenet já falecido), fur mil  trms José Fernando Almeida (vive em Óbidos), fur mil OE Humberto Simões dos Reis (vive em Alfragide), fur mil at inf António Manuel Martins Branquinho (1947-2013, vivia em Évora, se não erro, na Rua Heróis do Ultramar), e alf mil cav José António G. Rodrigues (falecido em 2011, morava então em Torres Novas).

O 1º sargento cav Fernando Aires Fragata iria deixar-nos ao fim de algum tempo, para seguir o curso de oficiais, na antiga Escola Central de Sargentos, em Águeda, ficando o 2º srgt at inf José Martins Rosado Piça a chefiar a secretaria da CCAÇ 2590, em Bambadinca; sei que lhe dei, ao Fragata, explicações de português, e o Humberto Reis, explicações de matemática, e o António Levezinho, também... Nunca mais soubemos do seu paradeiro. 
Tivemos alguns "desaguisados", era um homem de personalidade forte, e para mais de cavalaria. 


T/T Niassa > c. 24-29 de maio de 1969 > A caminho da Guiné > CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12) >  José Fernando Almeida  2º srgt at inf  José Martins Rosado Piça (1933-2021) (vivia em Évora). o António F. Marques, o António Branquinho, o Fernando Fragata, o José António Rodrigues e o Humberto Reis.


T/T Niassa > c- 24-29 de maio de 1969 > A caminho da Guiné > CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12) > De baixo para cima, José Fernando Almeida e António Branquinho; o António Fermandes Marques e o José António Rodrigues, o Humberto Reis e o Fernando Fragata 

T/T Niassa > c. 24-29 de maio de 1969 > A caminho da Guiné > CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12) > Da esquerda para a direita,  José Fernando Almeida,  o António Fermandes Marques e o Fernando Fragata (1º plano); o António Branquinho, o José António Rodrigues e o Humberto Reis (em 2º plano).


Fotos (e legendas): © Humberto Reis (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].



1. "Meninos e moços", arrancaram-nos das nossas terras e levaram-nos  para as bolanhas e matas da Guiné... A 4 mil km de distância. Cinco dias de barco, ou 3 horas e tal de avião, já nos últimos anos da guerra (a partir de finais de 1972). 

Muitos dos combatentes da "guerra do ultramar"  (como se dizia na época,  a censura  não deixava dizer "guerra colonail"...) passaram por este percurso, aqui descrito ou advinhado, e nomeadamente os que foram parar ao CTIG (Comando Territorial Independente da Guiné):

  • saída do Campo Militar de Santa Margarida, 
  • viagem nocturna, de comboio, pela linha da Beira Baixa até ao Cais da Rocha de Conde de Óbidos;
  • embarque no T/T Niassa (ou no T/T Uíge ou outro);
  • "adeus pai, adeus mãe, adeus amigos e companheiros, adeus minha terra que vou para longe";
  • "Tejo meu, Madeira, mar encapelado dos Açores e das Canárias, vómitos e saudades";
  • África Ocidental, Guiné, o insuportável calor de Bissau, LDG Rio Geba acima, Xime, Bambadinca, Bafatá, CFIM Contuboel... (ou noutros casos, Bissau, CIM Bolama).

Vale a pena conservar os tiques da linguagem castrense da época... Algumas siglas já não as sabemos descodificar... Em 1969 era ainda o país de Suas Excelências. E do respeitinho. O país do Deus, Pátria e Família. Das missas campais e das paradas militares. Do patriotismo serôdio e decadente... Por muito estranho que pareça, era o nosso país, a nossa pátria, de há cinquenta  e tal anos atrás... A Pátria que tivemos e temos, e que temos de assumir por inteiro, com o bom e o mau, o menos bom e o menos mau. Não há pátrias perfeitas.

Em 3 de Agosto de 1968 (dizem), o prof António Salazar tinha caído da sua cadeira, quando fazia férias no Forte de Santo Antório do Estoril.  Um mês e tal depois, em 27 de Setembro o seu antigo delfim, o prof Marcello Caetanto,  vem substituí-lo na Presidência do Conselho de Ministros. 

Em 1969 havia ainda quem acreditasse, ao ler-se o semanário  Expresso, na "primavera marcelista"... Em Bambadinca, eu recebia o Comércio do Funchal, o semanário  cor de rosa que uns putos, como oo Vicente Horge Silva (1945-2020) faziam no Funchal. 


2. Adapt. de História da CCAÇ 12 (1969/71). Bambadinca: Companhia de Caçadores nº12. 1971. Capítulo I. 1-2.

Mobilização para o CTI da Guiné

Pela nota-circular nº 00864/PM-Pº 18/2590 da Secção de Administração e Mobilização de Pessoal da 1ª Repartição do Estado-Maior do Exército, de 14 de Fevereiro de 1969, era dada ordem para se proceder a mobilização da Companhia de Caçadores 2590 (CCAÇ 2590) (futura CCAÇ 12), destinada a reforço do CTIG, e tendo como Unidade Mobilizadora o RI [Regimento de Infantaria] 15.

A mesma nota determinava que os quadros da CCAÇ 2590 seriam do origem metropolitana, sendo o restante pessoal fornecido pelo recrutamento da PU [Província Ultramarina] (c. 90 praças, das quais 11 seriam soldados arvorados ou cabos).

A apresentação do pessoal mobilizado pela Metrópole fez-se no Campo Militar de Santa Margarida, de 3 a 8 de Março de 1969. 

As CCAÇ 2591 (futura CCAÇ 13) e CCAÇ 2592 (futura CCAÇ 14) (exceto um pelotão, que ficou em Contuboel) seguiram para o CIM de Bolama.

(Continua)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 27 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28055: Efemérides (391): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte II: "o cruzeiro das nossas vidas"

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27436: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (114): a tábua corânica de Galugada Mandinga (subsetor de Contuboel)

 



Tábua escrita por alunos de uma escola corânica em Galugada Mandinga, no setor de Contuboel, região de Bafatá, Guiné-Bissau. Cortesia de Eduardo Costa Dias (*)


(...) Tirei hoje esta fotografia - uma tábua escrita por alunos de uma escola corânica em Galugada Mandinga, no dia da festa Eid-al-Adha que o Sissau Sissé (falecido em 1994) considerava o centro do ano muçulmano e no mês em que fez 30 anos que morreu.

Acometido de uma apendicite aguda em Contuboel foi trazido por um jipe do DEPA para o hospital Simão Mendes em Bissau. Morreu durante a operação… tendo precisado de oxigénio… O hospital não tinha, sendo mais preciso: não havia oxigénio porque tinha sido desviado e possivelmente, como na época acontecia bastante, vendido no Senegal ou na Gâmbia. (...)






Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Contuboel > 16 de dezembro de 2009 > O João Graça, médico e músico, posando ao lado do dignitário Braima Sissé. Por cima deste, a foto emodulrada de Fodé Irama Sissé, um importante letrado e membro da confraria quadriyya [islamismo sunita, seguido pela maior parte dos mandingas da Guiné; tem o seu centro de influência em Jabicunda, a sul de Contuboel; a outra confraria tidjanya, é seguida pela maior parte dos fulas].

O Braima Sissé foi apresentado ao João Graça como sendo um estudioso corânico, filho de uma importante personalidade da região, amigo dos portugueses na época colonial [presume-se que fosse o próprio Fodé Irama Sissé].

Foto: © João Graça (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Carta de Contuboel (156)  (Escala 1/50 mil) > Posição relativa de Contuboel, Jabicunda, Rio Geba, Rio Bissanque e Gulagada.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ( 2025)


1. A publicação de uma tábua  corânica, pelo meu amigo e colega de curso Eduardo Costa Dias (*), membro de longa data da nossa Tabanca Grande, despertou-me curiosidade. Estas tabuinhas são do meu/nosso tempo,  passei por algumas tabancas (mandingas e fulas) , no setores de Contuboel e de Bambadinca, onde havia o ensino do Corão. E os miúdos, os "djubis", ao fim da tarde, soletravam versículos corânicos, inscritos a tinta preta nestas pequenas tábuas de madeira, semelhantes às tábuas dos 10 mandamentos. Nos meses frios (dezembro / janeiro), era à volta de uma fogueira. Uma das imagenns mais fortes que algunms de nós trouxeram da Guiné.

Os professores destas escolas ("dara" ou "madrassa")  chamam-se "marabus". E os alunos são os "talibés"

Que rezavam ou recitavam eles ? Com a ajuda da minha assistente de IA, a "Sabe-Tábua", consegui   uma tradução aproximada destes caracteres, em árabe... Já em tempos, por volta de 2008, andei às voltas com uma cópias destas tabuínhas. Tinha entáo um aluno meu, médico, argelino, que estava a frequentar o curso de medicina do trabalho na Escola Nacional de Saúde Pública. Por qualquer razão, de que já náo me lembro, "perdi" o tradutor de árabe (**)...

Eu sempre desconfiei  das competências, já não digo pedagógicas, mas linguísticas desses marabus de tabanca... Mas isso é outra questão, a discutir mais tarde. De qualquer modo, há  que distinguir:

  •  o Árabe Corânico (ou Clássico): é a forma de árabe utilizada no Alcorão (Corão) e nos textos islâmicos mais antigos; a  grande maioria dos marabus adquire a capacidade de ler o Alcorão em voz alta e de o memorizar (o que se chama recitação), e de escrever passagens corânicas, geralmente com o objetivo de produzir amuletos (escrita talismânica); a competência principal que lhe é exigida (e reconhecida) é a  leitura e recitação do texto sagrado;
  • o Árabe Moderno (Fusha): é a língua usada hoje em dia na comunicação, nos jornais, na televisão e na educação formal nos países árabes;
  • muitos marabus tradicionais não têm competência para falar o Árabe Moderno para conversas quotidianas, ou para ler/escrever fluentemente textos não-religiosos em Árabe Moderno, a menos que tenham frequentado universidades ou escolas religiosas nos países árabes (como Marrocos, Egito ou Arábia Saudita).
  
De qualquer modo, à força de serem reproduzidas, há nestas tabuímnhas erros sistemáticos que passam, de mão em mão, de ... O Beja Santos lembra-se de as ver à venda,  em 1968/70, em Finete, tabanca e destacamento a norte do Rio Geba, no subsetor de Bambadinca.


2. O  que diz a  IA / ChatGPT em português:

Interessante peça! Essa tábua é um exemplo típico de ensino corânico tradicional na Guiné-Bissau, especialmente entre comunidades Mandinga: os alunos escrevem versículos do Alcorão em tábuas de madeira (chamadas luh) para memorização e recitação.

No entanto, não consigo fornecer uma tradução exata sem uma leitura cuidadosa do texto árabe. O que posso dizer, observando a imagem, é que o texto parece ser um excerto corânico  provavelmente relacionado com o sacrifício e a  obediência, temas centrais na festa de Eid al-Adha, que comemora a disposição do profeta Abraão em sacrificar o filho em obediência a Deus.

É muito provável que os versículos sejam retirados da Surata As-Saffat (37:102–107) ou Al-Hajj (22:34–37), ambas frequentemente estudadas e copiadas nessa altura do ano, por abordarem o tema do sacrifício.

Mas posso tentar fazer uma transliteração e tradução aproximada. Aqui vai:

Antes de tudo, deixo claro que o texto da tábua é em árabe corânico (e não árabe moderno), e, como é comum nas escolas tradicionais da Guiné-Bissau, a caligrafia pode variar ligeiramente da norma. 

Pelo que consigo ler da imagem, o conteúdo corresponde, de facto, a versículos do Alcorão ligados à história de Abraão (Ibrahim) e do sacrifício, recitados durante o Eid al-Adha (Tabaski, na Guiné-Bissau, ou "festa do carneiro").

Segue uma tradução aproximada do conteúdo:  Texto e tradução livre:

"Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
Quando (o filho) atingiu a idade em que podia trabalhar com ele,
(Abraão) disse: 'Ó meu filho, vejo em sonho que te sacrifico;
observa o que pensas disso.'
Disse (o filho): 'Ó meu pai, faz o que te foi ordenado;
encontrarás em mim, se Deus quiser, um dos pacientes.'
E quando ambos se submeteram e ele o deitou com o rosto para baixo,
chamámo-lo: 'Ó Abraão!
Já cumpriste a visão.'
Assim recompensamos os que praticam o bem.
Isso foi, na verdade, uma provação evidente."

 Estes versos são da Surata 37 — As-Saffat (Os que se colocam em fila), versículos 102 a 106.

Na tradição islâmica, recitar e copiar este trecho é um ato de devoção durante o Eid al-Adha, simbolizando fé, obediência e sacrifício.

A tábua que o professor Eduardo Costa Dias tem em casa e fotografou, representa, portanto, um testemunho da pedagogia religiosa mandinga e da espiritualidade local associada ao ciclo ritual islâmico, sobretudo em regiões como  Galugada Mandinga, que têm uma longa tradição corânica. 


3. O Gemini  IA / Google confirma o conteúdo destes versículos, 102 a 106. da Surata 35 - As-Saffat:

A Surata 37, As-Saffat (Os que se colocam em fila), nos versículos 102 a 106, narra o episódio do Profeta Abraão (Ibrahim) e o mandamento de sacrificar seu filho.

Aqui está o resumo do que dizem esses versículos (baseado em traduções do Alcorão):

(i) Versículo 102: "E quando (o filho) chegou à idade de labutar com ele, (o pai) disse: "Ó filho meu, sonhei que te oferecia em sacrifício; que opinas? Respondeu-lhe: Ó meu pai, faze o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os perseverantes!"

Este versículo descreve o diálogo entre Abraão e seu filho (geralmente identificado como Ismael), onde Abraão revela a visão de seu sonho e o filho demonstra total submissão e paciência à ordem de Deus

(ii) Versículo 103: m ostra o momento da submissão total de pai e filho, prontos para cumprir o que Deus havia ordenado. "E quando ambos aceitaram o desígnio (de Deus) e (Abraão) preparava (seu filho) para o sacrifício."

(iii) Versículo 104: "Então o chamamos: Ó Abraão!"

Neste ponto, Deus intervém no sacrifício.

(iv) Versículo 105: "Já realizaste a visão! Em verdade, assim recompensamos os benfeitores."

Deus confirma que Abraão cumpriu fielmente o que lhe foi ordenado no sonho, demonstrando sua devoção e obediência.

(v) Versículo 106: "Certamente que esta foi a verdadeira prova."

Conclui que o evento foi um teste claro e revelador da fé e submissão de Abraão (e seu filho).

Esses versículos são centrais na narrativa do sacrifício de Abraão e são a base do feriado islâmico de Eid al-Adha (Festa do Sacrifício, Tabaski ou "festa do carneiro", na Guiné-Bissau).



4. Já agora ficamos saber (o que é bom para a nossa cultura ecuménica), o que dizem os restantes versículos (de 107 a 111), da Surata 37, As-Saffat 

Os versículos 107 a 111 da Surata As-Saffat (Os que se colocam em fila) concluem o episódio do sacrifício de Abraão, destacando a graça, a recompensa e a honra que Deus lhe concedeu após a prova de fé. Aqui está o significado desses versículos:

(i) O Fim da Prova e a Recompensa: Versículo 107: "E o resgatamos com outro sacrifício importante."

Este versículo descreve a intervenção divina final. Deus substituiu o filho por um grande sacrifício (geralmente interpretado como um carneiro ou animal similar), completando a prova de fé de Abraão sem o sacrifício de seu filho.

(ii) Versículo 108: "E o fizemos (Abraão) passar para a posteridade."

Deus estabeleceu um louvor e uma menção honrosa para Abraão entre as gerações futuras. O seu nome e exemplo são lembrados e reverenciados por todas as religiões monoteístas (judaísmo,cristianismo e islamismo).

(iii) Versículo 109: "Que a paz esteja com Abraão!" (Saudações a Abraão).

Uma saudação e benção direta de Deus ao Profeta Abraão, enfatizando a sua posição honrada.

(iv) Versículo 110: "Assim, recompensamos os benfeitores."

Esta é uma declaração geral de Deus, indicando que a recompensa dada a Abraão é o padrão de como Deus retribui a todos aqueles que praticam o bem (muhsinin), que são sinceros e buscam a excelência na adoração.

(v) Versículo 111: "Porque foi um dos Nossos servos fiéis."

Conclui o trecho reafirmando o estatuto de Abraão como um servo crente (mu'minin), leal e submisso a Deus.

Em resumo, estes versículos mostram que a disposição de Abraão em sacrificar seu filho já era o cumprimento do mandamento em espírito. Deus aceitou essa submissão total e, por Sua misericórdia, proveu um resgate, garantindo que o seu ato de obediência fosse lembrado e honrado para sempre.


5. Ficamos também a saber o que é Surata ( às vezes confundida com o próprio Alcorão):

Surata (ou Sura, do árabe sūrah - سورة) é o nome dado a cada um dos capítulos do Alcorão, o livro sagrado do Islão:

  • o Alcorão Sagrado é composto por um total de 114 Suratas ( capítulos);
  • cada Surata é, por sua vez, subdividida em versículos, chamados Ayat (ou Ayyat);
  • as Suratas variam muito em extensão; a mais curta tem apenas 3 versículos (Surata An-Nasr), e a mais longa tem 286 versículos (Surata Al-Baqarah);
  • no total o Coro tem maos de 6,1 mil versículos (a Bíblia tem 5 vezes mais).
  • as Suratas  não estão organizadas por ordem cronológica de revelação, mas geralmente seguem uma ordem decrescente de tamanho (as mais longas vêm primeiro, exceto a primeira, Al-Fatiha).
Em resumo, o Alcorão é o Livro Sagrado inteiro (o todo), que contém a palavra literal de Deus (Allah), revelada ao Profeta Muhammad (Maomé); a Surata é um Capítulo (uma parte) dentro desse Livro Sagrado; o Alcorão é a compilação completa das 114 Suratas. (***)

PS - É lamentável que tenhamos passado quase dois anos na Guiné, e lidado com muitos militares, milícias e população civil, de religião muçulmana, e nada nem ninguém, no exército, se preocupou em  dar-nos umas "luzes" sobre o Islão, e os "usos e costumes" religiosos dos nossos camaradas do recrutamento local...Nós é que tivemos de descobrir o que era o "irã", o "Tabaski" (ou "fetsa do carneiro"), o "fanado", o "choro"... E estávamos no Portugal "pluricontinental e plurracional", que "ia do Minho e Timor"...
 
(Pesquisa, condensação, revisão / fixação de texto: LG)

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 13 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27418: Em memória de Sissau Sissé, que me acompanhou durante muitos anos no meu trabalho de terreno em Contuboel (Eduardo Costa Dias)


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27418: Em memória de Sissau Sissé, que me acompanhou durante muitos anos no meu trabalho de terreno em Contuboel (Eduardo Costa Dias)



1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de hoje, 13 de Novembro de 2025:

Queridos amigos,
Em 12 de novembro almocei no restaurante da Sociedade de Geografia de Lisboa com o meu amigo Eduardo Costa Dias, professor universitário aposentado, com tese de doutoramento baseada na agricultura Mandinga de Contuboel, onde fez trabalho de campo. Falámos de amizades inextinguíveis e sempre, sempre, dessa Guiné que gostaríamos de ver em trilhos de democracia, equidade, desenvolvimento, sempre em compasso de espera, para não dizer em regressão. À tarde, deixou-me no mail esta recordação tão terna, que tanto me surpreendeu. Perguntei-lhe seguidamente se permitia a sua publicação no blogue, prontamente disse que sim. Se procurarem no Google, terão provas dos trabalhos académicos guineenses, ali se expõem as suas colaborações nacionais e internacionais.
Sinto muito orgulho em ver o meu amigo Eduardo Costa Dias a participar no blogue.

Abraço do
Mário


********************
Sissau Sissé

Eduardo Costa Dias

Sissau Sissé acompanhou-me durante muitos anos no meu trabalho de terreno em Contuboel. Mestre, tradutor e, mais do que tudo, amigo. Sissau era fluente - falava, lia, escrevia em português, crioulo, fula e mandinga e em mais duas ou três línguas do grupo linguístico malinké. “Desenrascava-se bem” ainda em francês e árabe.

Membro de uma importante família de mouros com ramificações no Senegal, no Mali e na Guiné-Conacri, frequentou em simultâneo a “escola de branco” (anos 1960) e, durante longos anos, a madraça onde o avô, o pai, os tios e, a partir de certa altura, primos ensinavam. Durante dois anos frequentou intermitentemente uma madraça no outro lado do Geba, em Djabicunda. Muito religioso, Sissau Sissé não era exatamente um expert em textos corânicos. Era, sim, um excelente conhecedor dos, escrevendo à antiga, usos e costumes dos Mandingas e, sobretudo, um grande genealogista. Conhecia a história toda das grandes famílias Mandingas e, como ninguém, “lia” as ligações.

Os meus primeiros (e decisivos) contactos com a “floresta” da “genealogia religiosa muçulmana” foram por ele guiados. Devo-lhe, por exemplo, ter aprendido depressa o significado de palavras como baraka, distribuição de baraka, herança de baraka e o conteúdo de silsila: fulano aprendeu com o seu mestre X que por sua vez já tinha aprendido como seu mestre Y, que por sua vez já tinha aprendido do seu mestre W.

Tábua escrita por alunos de uma escola corânica em Galugada Mandinga

Tirei hoje esta fotografia - uma tábua escrita por alunos de uma escola corânica em Galugada Mandinga, no dia da festa Eid-al-Adha que o Sissau Sissé considerava o centro do ano muçulmano e no mês em que fez 30 anos que morreu.

Acometido de uma apendicite aguda em Contuboel foi trazido por um jeep do DEPA para o hospital Simão Mendes em Bissau. Morreu durante a operação… tendo precisado de oxigénio… o hospital não tinha, sendo mais preciso: não havia oxigénio porque tinha sido desviado e possivelmente, como na época acontecia bastante, vendido no Senegal ou na Gâmbia.

Sissau, Saudades tuas
Sissau Sissé na foto de babuk creme
Sissau Sissé na foto com babuk azul escuro
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quarta-feira, 23 de abril de 2025

Guiné 61/74 - P26716: Facebook...ando (74): Manuel Ribeiro de Faria, ex-cap inf, cmdt da CCAÇ 3414 (Sare Bacar, Cumeré, Brá, 1971/73), a subunidade a que pertenceu o nosso saudoso amigo e camarada Joaquim Peixoto (1947-2018)




Joaquim Peixoto (1949-2018), ex-fur mil arm pes inf, 
CCAÇ 3414 (Sare Bacar, 1971/73)


1. Há muito que não falamos aqui do Joaquim Peixoto (Penafiel, 1949-Porto, 2018): 

(i) foi ur mil arm pes inf, MA, CCAÇ 3414 (Sare Bacar e Bafatá, 1971/73); 

(ii) professor do 1º ciclo,  reformado, vivia em Penafiel, e era casado com a Margarida Peixoto, também ela professora do ensino básico, reformada;

(iii) e ambos membros da nossa Tabanca Grande, para além de amigos da Quinta de Candoz;


Joaquim e Margarida.
Monte Real, 2010.
Foto de Manuel Carmelita
(iv) a morte, sempre traiçoeira, levou-o sem poder completar os 70 anos;

(v) era uma figura muito querida na sua terra, e ,muito querida também de todos nós (e em especial. da Tabanca de Matosinhos e de "O Bando do Café Progresso");

(vi) o casal participou ainda por diversas vezes dos Encontros Nacionais da Tabanca Grande, em Ortigosa e  Monte Real;

(vii) o Peixoto integrou a Tabanca Grande em 11/7/2009;  

(viii) tem cerca de meia centena de referências no nosso blogue. A CCAÇ 3414, por sua vez, tem 22 referências.

Infelizmente mais nenhum "falcão de Sare Bacar" apareceu aqui com a vontade expressa de preencher o lugar vazio deixado pelo  Joaquim Peixoto que "da lei da morte já se libertou". 

É verdade que o grosso da companhia era malta dos Açores (que só se reencontrou pela primeira vez em 2012, na Ilha Terceira). 

A CCAÇ 3414 foi mobilizada pelo BII 17, Angra do Heroísmo. E foi comandada pelo cap inf Manuel José Marques Ribeiro de Faria, hoje cor inf ref.


2. Há quinze dias passámos na A4, em Penafiel, a caminho de Candoz,  e lembrámo-nos dos nossos amigos Joaquim e Margarida Peixoto. 

Por outro lado, há dias deparei-me com a página do Facebook do cor inf ref Manuel Ribeiro de Faria que, de resto, é amigo do Facebook da Tabanca Grande (temos 22 amigos em comum). 

Com a devida vénia, recuperei algumas das fotos do seu álbum, com destaque para a sua passagem pelo CTIG (onde foi alferes ou tenente em Có, em 1968/69, e depois capitão, em 1971/73, em Sare Bacar).  Tem um brilhante currículo militar, tendo servido o Exército Português até 2008.

Gostaria que ele se juntasse ao blogue da Tabanca Grande. Tenho o nº 902, sob o nosso  fraterno poilão, no caso de ele aceitar o meu convite para se juntar ao blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.

Recordo aqui um dos seus postes, com data de 24 de dezembro de 2019, 06:55


Natal !... Este é o meu septuagésimo sexto!...

Temos de concordar que já vou tendo alguma experiência...

Vi e vivi muitos tipos de Natal, Natais europeus, Natais africanos, até asiáticos [em Goa, na Índia (1947/48/49)], uns em clima de paz, outros até de guerra, os primeiros em que se esperava a prenda (raramente "as prendas") posta no sapatinho pelo Menino Jesus que viria a ser substituído por um Pai Natal. Alguém deve ter pensado que era exploração infantil... E mais, não é que já há também uma Mãe Natal? (Elas estão a tomar conta disto)...

De todos os Natais que vivi, tiveram especial significado aqueles passados no calor da Guiné, em 1971 e 72, em noites de vigília (de prevenção, esperando um possível ataque, já que o PAIGC tinha essas tentações), visitando vários núcleos de defesa (postos de combate) onde os meus soldados, os meus "Falcões" açorianos, com pequenas celebrações lembravam a data, as famílias distantes, mas onde tinham uma pequena lembrança para o seu Capitão (ainda guardo algumas delas), pequenas e singelas no tamanho, enormes, descomunais, no significado.

Nesta época passam-me pela memória todos os meus Amigos (isto, segundo as regras que eu aprendi, inclui as Amigas) e desejo-lhes o melhor deste mundo contido na tradicional mensagem "Feliz Natal e um Bom Ano Novo"...
Peço-lhes, em troca, um momento de reflexão para todos aqueles a quem a Noite de Natal não é tão abençoada como aquela que mereciam, sobretudo as crianças que, por esse Mundo fora, não têm Ceia de Natal e não sabem sequer, muitas delas, se terão algo para se alimentarem no dia seguinte.

Assim, como militar que sou e serei sempre, envergo o meu melhor uniforme para, em sinal de respeito, desejar a todos os meus Amigos um Feliz Natal.



Cor inf ref Manuel Faria Ribeiro (n. 1943) 



Angola > 1959 > O jovem Ribeiro de Faria, Comandante de Bandeira
 na Milícia da Mocidade Portuguesa  



Academia Militar > 1965 (lapso, deve ser 1963) > 
Aluno-cadete, 1º ano, ao lado de sua mãe




Guiné > Zona leste >  Região de Bafatá > Sector L1  > Susetor de Sare Bacar >
 Sare Bacar> 1973 > Cap inf, cmdt da CCAÇ 3414 (1971/73)



Angola > Março de 1996 a Setembro de 1997, ao serviço como Chefe do Estado Maior da UNAVEM III (United Nations Angola Verification Mission), depois MONUA (Mission d'Observation des Nations Unies Angola).



Guiné > Zona Oeste > Có >  1968 > "Aquartelamento de Có, ainda muito "piriquito"(era assim que eram chamados os inexperientes recém-chegados), ainda cheio de ideias. Procedimento que sempre adoptei, quando saía para uma operação, levava perto a mim um apontador de metralhadora MG-42, um apontador de Morteiro 60 mm, um apontador de Lança Granadas-Foguete e um Radio-telegrafista.

"Eu (o comandante), levar as fitas de carregamento da metralhadora, armado em Pancho Villa, era uma fantasia que a experiência cedo corrigiu... Eu estava lá para comandar, avaliar a situação, dar as ordens e coordenar a acções ou reacções adequadas, e não para terefas que não eram nem deviam ser da minha competência.

"Os ensinamentos que colhi, muito me serviram e ajudaram na posterior preparação da minha Companhia de Caçadores Independente 3414 com que voltei à Guiné". (Julgamos que em Có o  Manuel Ribeiro de Faria devia alferes ou tenente.)
 


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > CIM Contuboel > "Nasceu em 11 de Abril de 1910, em Estremoz, António de Spínola. Recordo esta figura notável não de honrarias palacianas, mas das operações nas bolanhas da Guiné, onde pude, de muito perto e com muita honra, servir sob as suas ordens. Captei esta imagem em 1972 quando, em Contuboel, Spínola presidia à cerimónia de encerramento de um Curso de Formação de Milícias que eu dirigia."

Fotos (e legendas): : © Manuel Ribeiro de Faria (2025). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


3. O
 cor inf ref Manuel Ribeiro de Faria, filho e neto de militares, nasceu em 1943,  viveu em Goa,  em Moçambique e em Angola. O pai, Manuel Ribeiro  de Faria (por sua vez nascido em 1915,  Inhambane, Moçambique) morreu com o posto de tenente-general, segundo apurámos da sua página do Facebook.

Em 1954 vivia em Angola, começando a frequentar o Colégio Alexandre Herculano - Nova Lisboa, hoje Huambo, e voltaria a Angola em 1996 como Chefe do Estado Maior da UNAVEM III. 

Fez duas comissões de serviço no CTIG.  Deve ser do curso de 1963 na Academia Militar. Segundo a sua página no Facebook, nasceu em Mafra e mora em Oeiras. A sua última função no Exército foi a de diretor do Museu Militar. Interessa-me particularmente pela história militar.
 

4. Ficha de unidade > Companhia de Caçadores n.º 3414

Identificação: CCaç 3414

Unidade Mob: BII 17 - Angra do Heroísmo

Crndt: Cap Inf Manuel José Marques Ribeiro de Faria

Divisa: "Antes Morrer Livres Que em Paz Sujeitos"

Partida: Embarque em 23Jun71; desembarque em 02Jul71 | Regresso: Embarque em 23Set73

Síntese da Actividade Operacional

Após realização da IAO, de 5 a 31ju171, no CIM, em Bolama, seguiu em 5ag071 para Sare Bacar, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 2636. 

Em 27Ag071, assumiu a responsabilidade do subsector de Sare Bacar, com pelotões destacados em Sora e Sare Aliú Sene, ficando integrada no dispositivo e manobra do BArt 2920 e depois do BCaç 3884.

Em 18mai73, foi rendida no subsector de Sare Bacar pela CCaç 4147/72 e seguiu, em 20,ai73, para Cumeré, tendo reforçado o dispositivo do COP 8, de 4jun73 a 5jul73.

Em 5jul73, substituindo a CCaç 3518, assumiu a responsabilidade do subsector de Brá, ficando na dependência do COMBIS, com vista a garantir a segurança e protecção das instalações e das populações da área. No período efectuou ainda escoltas a colunas de reabastecimento a Farim, Binta, Guidage e Mansabá.

Em 25set73, foi substituída no subsector de Brá pela CCaç 3477, a fim de
efectuar o embarque de regresso.

Observações - Tem História da Unidade (Caixa n." 96 - 2ª Div/4ª  Sec, do AHM).

Fonte: Excerto de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pág. 405.

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
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quinta-feira, 6 de março de 2025

Guiné 61/745 - P26558: O melhor de... Valdemar Queiroz (1945-2025) - Parte II: a chegada do homem à lua, a arte do desenrascanço do 'tuga' e eu parado no meio do Geba Estreito num "barco turra", cheio de sucata, a caminho de Bissau



EUA > NASA > 14 de abril de 1969 > A tripulação da missão Apollo 11, da esquerda para a direita: Neil A. Armstrong, comandante; Michael Collins, piloto do módulo de comando; e Edwin E. Aldrin Jr., piloto do módulo lunar. Foram os primeiros seres humanos a caminhar na superfície da lua. Em 20 de julho de 1969. Fonte: NASA Human Space Flight Gallery. Imagem do domínio público,. Cortesia de Wikimedia Commons.



Foto nº 1 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Contuboel > 1969 > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > 21 de julho de 1969 > "Efeméride: no dia que o homem chegou à Lua, eu descia o rio Geba (Bambadinca-Bissau, com passagem no célebre Mato Cão e depois na não menos temível Ponta Varela, a seguir ao Xime)... Era um barco fretado para levar material usado da tropa. Estivemos parados várias horas: primeiro por causa da maré, depois devido a avaria no motor do barco só resolvido (desenrascado) com uma peça sacada dum carro que seguia no barco para sucata. Viagem inesquecível, até ao fim da minha vida!" (*)




Foto nº 2 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Contuboel  > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > 21 de julho de 1969, dia em que o homem chegou à lua... O Valdemar vai a caminho de Bissau, num barco civil, daqueles a que chamávamos, depreciativamente, "barco turra". (*)


Fotos (e legendas): © Valdemar Queiroz (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís GRaça & Camaradas da Guiné]



A CHEGADA DO HOMEM À LUA E A ARTE DO DESENRASCANÇA DO 'TUGA'



  − Estamos tramados, partiu-se uma peça do motor. Não vamos sair daqui tão cedo.

− Estou a ver que sim. Talvez se desenrasque alguma peça naquela sucata.

Diálogo entre o mestre do barco e um soldado da metrópole, depois de estarmos parados há algum tempo e já noite dentro, no meio do rio Geba Estreito, antes de passarmos no Xime, apenas interrompido pela transmissão na rádio da chegada do homem à Lua.

−  É um pequeno passo para o homem e um salto de gigante para a humanidade  disse o astronauta americano Neil Armstrong ao pisar o solo lunar.

Faz hoje 50 anos (*). Foi nas primeiras horas dia 21 de Julho de 1969,

Durante o dia 20, em Contuboel, completada a nossa CART 2479 (futura CART 11 e, mais tarde, CCAÇ 11), com os soldados africanos que tinham acabado a instrução, seguiu para Piche e eu fui destacado para ir a Bissau entregar material já usado,  utilizado na instrução de recrutas africanos.

A viagem rio Geba abaixo, de Bambadinca a Bissau, foi feita num barco civil de carga/passageiros (vulgo ‘barco turra’) que rebocava, em comboio, mais dois barcos pequenos carregados de várias mercadorias, sacos de mancarra, automóveis sinistrados e passageiros civis e alguns militares em serviço, de regresso ‘à peluda’ ou de férias.

O barco parou com problemas no motor pouco tempo depois da saída de Bambadinca, na zona do Geba Estreito, parando ao cair da noite e antes de se passar no Xime. 

Estávamos parados, já há horas, sem ninguém se aperceber do motivo, aproveitando para ouvir na rádio a pilhas a chegada do homem à Lua.

Alguns de nós não acreditavam no que ouviam, outros davam mais importância ao local em que nos encontrávamos sem saber se alguém nos fazia segurança em terra, apenas apercebendo-nos de estarmos próximo das margens, ao avistar uma luz brilhante no meio da mata e sem paciência para afugentar os mosquitos.

O nosso soldado lá conseguiu desenrascar uma peça, julgo que seria um parafuso, num dos carros sinistrados,  e que, talvez por ter sido sacada dum Peugeot e o motor do barco ser de marca francesa, adaptou perfeitamente para pôr o motor a trabalhar, embora continuássemos parados, aguardando agora a maré favorável.

E lá seguimos viagem, com a luz brilhante na mata que aparecia e desaparecia cada vez mais longe (o serpentear do percurso do rio fazia com que se avistasse o mesmo local de distância diferente), entrando no Geba largo, já ao nascer do dia,  e ainda faltando algum tempo de Bissau à vista, para o desembarque.

Não me recordo bem de ter ouvido alguém falar dos avanços da Ciência com a chegada do homem à Lua ou outra conversa sobre a atribulada viagem, mas hoje, passados 50 anos, posso gabar-me de ter ouvido a chegada do homem à Lua no meio da rio Geba, na Guiné, e presenciado um momento alto da extraordinária arte do "desenrasca" dos portugueses.

Inesquecível.

Valdemar Queiroz 
 (**)

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(ii) constituiu-se no RAL 5 em Penafiel, no ano de 1968, como subunidade do BART 2866, desmembrando-se desta unidade em fevereiro de 1969, e embarcando com destino à Guiné no dia 18, aonde chegou a 25 do mesmo mês;

(iii) o percurso operacional da CART 2479 na zona leste, foi longo, fixando a sua sede em Nova Lamego, no Quartel de Baixo em setembro de 1969;

(iii) passou por Contuboel, Bissau, Contuboel, Piche, Nova Lamego, Piche;

(iv) comandante: cap mil art Analido Aniceto Pinto (1/6/1934- 27/2/2014) (trabalhou na Galp Energia, foi colega do António Levezinho);

(v) foi extinta em 18 de janeiro de 1970, passando a companhia a designar-se CART 11 [, tem cerca de 8 dezenas de referências no nosso blogue];

(vi) em maio de 1972 a CART 11 (tem d. 120 referências no blogue) passou a designar-se CCAÇ 11 [tem cerca de 4 dezenas de referências]. 

(vii) de 12 de narço a 24 de maio de 1969, no CIMC - Centro de Instrução Militar de Contuboel fizeram a recruta os seus futuros soldados, do recruramento local, bem como os da CCAÇ 2590 / CCAÇ 12);

(viii) o juramento de bandeira  realizou-se em Bissau em 26/4/1969, na presença do Com-chefe, o gen Spínola;

(ix) as duas futuras companhias faziam parte da chamada "nova força africana" que estava então em formação e era muito acarinhada por Spínola;

(ix) em 18 de julho de 1969, a CART 2479 / CCART 11 foi colocada em Nova Lamego e emPiche, e a CCAÇ 2590 / CCAÇ 12 em Bambadincam, finda a instrução de especialidade e a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional (,dadas no CIMC).

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Notas do editor:

(*) Vd. postes de:

21 de julho de 2019 > Guiné 61/74 - P19999: Efemérides (309): Há 50 anos o homem chegava à lua... e eu ia caminho de Bissau, num "barco turra" que parou, no Geba Estreito, com uma avaria...Valeu-nos o proverbial "desenrascanço tuga"... Viagem inesquecível até ao fim da minha vida! (Valdemar Queiroz, ex-fur mil, CART 2479 / CART 11, Contuboel, Nova Lamego, Canquelifá, Paunca, Guiro Iero Bocari, 1969/70)


(**) Último poste da série > 4 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26550: O melhor de ... Valdemar Queiroz (1945-2025) - Parte I: (i) na morte do Renato Monteiro (1946-2021); (ii) Guiro Iero Bocari, o meu epílogo da guerra

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26527: Tabanca Grande (568): Homenagem ao capitão e cavaleiro Leite Rodrigues (Aveiro, 1945 - Matosinhos, 2025), ex-alf mil cav, CCAV 1748 (1967/69), membro da Tabanca de Matosinhos: passa a sentar-se, simbolicamente, no lugar n.º 899, sob o nosso poilão, a título póstumo



Matosinhos > Tabanca de Matosinhos, Natal de 2024.
Leite Rodrigues. Foto: J. Casimiro Carvalho (2024)




Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Bafatá > 4 de abril de 2017 > O Leite Rodrigues dando uma aula de ciências naturais numa escola local...


Foto nº 2A > Guiné-Bissau > Bafatá > 4 de abril de 2017 > O Leite Rodrigues com a professora da escola...




Foto nº 3B, 3A e 3 > Guiné-Bissau > Binta > Abril de 2017 > O João Rebola (1945-2018) esteve aqui, com a sua CCAÇ 2444 (Bula, Có, Cacheu, Bissorã e Binar, 1968/70)... Da esquerda para a direita, na base do poilão, o Leite Rodrigues, o João Rebola, o José Cancela e o José Manuel Samouco.



Foto nº 4 > Guiné-Bissau > Bissa > Abril de 2017 > Junto ao Hotel Coimbra > O Leite Rodrigues, com oosando parea a fotografia com um pano tradicional usado pelas mulheres guineenses, 

Fotos (e legendas): © José Cancela (2025). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Não tenho dúvidas que o nosso saudoso camarada Leite Rodrigues, que vai amanhã, dia 26,  descer à terra da verdade, sem ter completado os 80 anos (*),  merece figurar, a título póstumo, na nossa Tabanca Grande, sentando-se simbolicamente sob o nosso poilão no lugar nº 899, ao lado de outros tabanqueiros quer vivos quer  já falecidos (e sobretud0, neste caso, homens grandes da Tabanca Pequena de Matosinhos,  como o A. Marques Lopes, o João Rebola, o Joaquim Peixoto, o Jorge Teixeira (Portojo), o António Batista da Silva, o Xico Allen, o Francisco Silva, etc., alguns dos nomes que me vêm à cabeça, e que "da lei da morte já se libertaram").

Não tenho dúvidas em aceitar a proposta do nosso régulo e poeta José Teixeira, dando ao Leite Rodrigues honras de Tabanca Grande (*)... É nossa pequena homenagem a um homem, português e camarada de coração grande, generoso e solidário, que nos ajudou também a t0rnar menos agreste e penosa a nossa caminhada pela picada da vida (e nomeadamente aos membros da Tabanca de Matosinhos, cuja tertúlia ele frequentavca desde 2006).

Verifico agora, com mais atenção que ele foi ferido gravemente num operação a caminho de Sinchã Jobel no subsetor de Geba, quando a sua CCAV 1748 estava aquartelada em Conbtuboel... Mais de ano e meio depois eu próprio iria conhecer o CIM de Contuboel, cujo subsector era um "oásis de paz"...

Já agora a operação em que o cmdt do 4º peloitão da CCAV 1748 foi ferido com gravividade: Op Invicta II, de 5 a 8dez67,  que consistiu mum golpe de mão na região de Caresse, sector L2, envolvendo forças da CCaç 1788, CCav 1748 e 2 Sec/Pel Mil 112, e  com apoio aéreo. As NT atingiram o objectivo constituído por 10 casas de mato, capturaram munições diversas e fizeram 12 feridos ao lN, que reagiu pelo fogo. As NT tiveram 2 feridos.

2. Facto que eu desconhecia, ele também foi à Guiné-Bissau em 2017 ... Com o Zé Cancela, o João  Rebola, o António Barbosa, o Angelino Silva, o José Manuel Samouco, o Eduardo Moutinho, o Rodrigo Teixeira e outros camaradas da Tabanca de Matosinhos...

O Zé Teixeira, que dessa vez não foi (tinha ido em 2015),  diz-me que "o grupo foi recebido pelo Presidente da República, o JOMAV. Sei que falaram do seu ferimento e do comandante Gazela. O Eduardo Moutinho também foi, mas agora anda às voltas com uma pneumonia".

Pedi ao Zé  Cancela algumas fotos desta viagem (em que visitaram muitas localidades) para ilustrar a minha apreesentação do nosso novo grão-tabanqueiro, que deixa muitas saudades, não só entre os antigos combatentes mas também no mundo do oçlimpisco e no hipismo .  Fizemos uma primeira seleção.

Recordo-me de, antes da pandemia, o ter convidado a integrar a nosssa Tabanca Grande...  Mas, como diz o Zé Teixeira, ele gostava mais de cavalos (e mulheres bonitas) do que computadores. Gostava mais de falar (de improviso) do que escrever. Mas era uma exímio contador de histórias. 
 
Apurámos que o nosso infortunado camarada foi alf mil cav, CCAV 1748 ( subunidade que passou por Bissau, Bula, Contuboel e Farim, entre jul 67 e jun 69). Tem cruz de guerra de 4.ª classe, atribuída em 1972. Não tínhamos, até agora,  nenhum representante desta subunidade na nossa Tabanca Grande.

Segundo a página do facebook do portal Utw Ultramar Terraweb (nota de óbito, de 23 do corrente, 16:08), o Leite Rodrigues era capitão do quadro permanente da GNR, na situação de reforma. Em 1/12/1970, tinha sido promovido a ten mil, e colocado na GNR. Em 17/5/1984, foi gradudo em capitão e promovido a cap QP, da GNR.

Era uma figura conhecida e respeita no meio equestre, foi atleta olímpico, e é recordado tanto como cavaleiro como mestre na arte da equitação. Era natural de Aveiro. Tem uma filho, que vive em Lisboa. Tinha uma filha que morreu em circunstâncias trágicas, aos 14 anos,  em 2006,  na sequência de um acidente com um dos seus cavslos. A Filipa era uma promissora atleta da equitação portuguesa, seguindo os passos do pai.

Segundo o portal Equitação, o "Alberto Bernardo Azevedo Leite Rodrigues (1945 - 2025), capitão da Guarda Nacional Republicana, representou Portugal ao mais alto nível, tendo sido olímpico nos Jogos de Barcelona em 1992, na disciplina de CCE. Dedicou a vida ao desporto equestre, que viveu com paixão. Durante a carreira como atleta, venceu inúmeras competições no nosso país e no estrangeiro, em provas de Saltos de Obstáculos e CCE. Como Veterano e Embaixador regista títulos e medalhas nos Campeoanatos de Portugal e da Europa". Nomeadamente, em 2000, sagrou-se "Campeão da Europa de Veteranos de Saltos de Obstáculos".